Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

"Cláudia, por que você faz isso?"



- “Cláudia, por que você faz isso?”
- “Isso” o que?
-“Sei lá, é acompanhante, faz sexo por dinheiro?”
- Ah! Porque eu sempre gostei de sexo e faço por prazer. Porque nunca descontentei nenhum homem na cama e nem precisei fingir pra agradá-los. Porque a vida longe do sexo é injusta! Porque você se dedica a seu trabalho e é passada para trás e, ainda, não é valorizada como merece, porque a sociedade é machista, mas é no ato de pagar por sexo que o homem demonstra a sua humildade. E, porque a gente tem na vida o valor que a gente se dá e eu me valorizo muito. 
Não há nada de errado em fazer sexo por dinheiro, meu caro! Errado é manter casamento para não dividir bens, é dizer para o marido que vai trabalhar em seu consultório à noite para transar com o segurança da agência bancária, errado é dizer que ama para ganhar presentes caros, errado é ser infiel e desleal, errado é fazer faculdade para ficar de olho no coleguinha filho de fazendeiro, terminar casando, “aposentando” os sonhos e o diploma para obedecer a homem machista, transar sem sentir prazer, levar chifre e aguentar tudo calada, porque precisa da conta bancária do marido pra “viver bem”!
- Nossa! Mas, seu codinome, não foi inspirado na feminista Simone de Beauvoir? Enfim, você não é feminista?
- Ora, sou sim! Mas, e daí? Amigo, você sabe com quantos idiotas eu namorei? Sim, namorei, porque até decidir mudar de vida eu transava com os caras e em seguida namorávamos. Ah, por favor! Eu me valorizo tanto que resolvi colocar preço no que faço de excelente para não correr o risco de me envolver afetivamente com homem babaca! Enfim, baby, não me menospreze, porque seus pecados são diferentes dos meus! Eu amo escrever, ler, estudar e também amo transar! Ah, eu sou é muito feliz! E, nessa profissão, tudo depende de mim! Não preciso puxar saco de colega escroto para ser mantida num cargo, não preciso tolerar instituição de ensino superior particular que trata aluno como objeto! Aqui sou só eu e o meu prazer! Aqui, ninguém me “passa a perna” no sentido ruim, só no bom! E eu tenho prazer na medida em que dou.
-“Ah, e você não acha que está cobrando caro já que é nova no ramo?”
-Claro que não! Eu sei o meu valor e sei, principalmente, que não tenho só bons orgasmos para oferecer! Eu tenho cultura, história, assunto e alegria, além de depravação pra vender, não pra oferecer queridinho! Afinal, não esqueça: eu não faço nada gratuitamente! E sim, sou feminista e sou independente! Se você não entende “como isso pode” o burro é você!

Sorriso/MT elucubrando a vinda para Brasília/DF, março de 2016.

Um comentário:

  1. Acho muito bem Simone, cada um é como se acha feliz... e ninguém tem nada com isso. No fundo és autêntica e verdadeira que é uma qualidade em vias de extinção.
    Conheci o teu blog hoje e já estou fã.
    Estou fã também da autora, que na verdade adoraria conhecer... cortas-me a respiração de MULHERÂO!!!
    Beijo

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