Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sobre os estigmas que afetam às acompanhantes.


Sobre os estigmas que afetam às acompanhantes.

Existem muitos estigmas em torno do trabalho de acompanhante. Alguns super romantizados, outros hipersexualidados. Exemplo dos primeiros: “coitadinha, sofrida, se decepcionou demais com os homens”; exemplo dos segundos: “Safada, é ninfomaníaca, depende de sexo pra ser feliz!”.
Gente, nem tanto o céu, nem tanto o inferno né?! Você não precisa ser “a sofrida” para resolver fazer companhia e sexo com homens por dinheiro, assim como não precisa ser unicamente a “legitima” devassa. Aliás, neste meio, existem mulheres com tanto ou mais apreço por si mesmas do que muitas pseudo-donzelas por aí!
Sim, essas iludidas, que escutam algumas palavras mágicas e já começam a fantasiar com a mansão, com os filhos e com o cachorro da família: hectares, cargo público, bem sucedido, empresário, político, juiz, médico, delegado, dentre outras, são exemplos das palavrinhas que fazem muitas mocinhas sonharem acordadas!
A gente rala, a gente trabalha! Nessa nossa profissão a gente evita deste DST até filho. O nosso agir é genuíno: nós trabalhamos, o cliente nos paga. A gente não fica deitada na nossa cama sonhando com uma prole quando repousamos a noite. Nós damos prazer, temos o nosso prazer, desenvolvemos apreço pelos melhores clientes, mas não nos iludimos e, muito menos, a eles!
Se gostamos de sexo? Obviamente! Se não gostássemos estaríamos fazendo qualquer outra coisa. Acredite, nós temos potencial! Gostamos muito de sexo, mas não somos desesperadas. Gostamos de sacanagens, mas não somos baratas. Gostamos de sexo, mas não saímos transando gratuitamente com ilustres desconhecidos. Nós gostamos e sabemos que somos boas no que fazemos e é por isso que nós precificamos o nosso “negócio”.
Não somos “as” desapontadas, “as” mal amadas, “as” taradas... Somos mulheres e, como em toda mulher, habita em nós uma alma misteriosa! Uma alma que já teve rejúbilos, alegrias, desapontamentos, irresignações, paixões, sonhos, superações, realismo, sucessos, fracassos, devassidão, perversão, desejos, taras! Enfim, nós somos muito mais do que qualquer pensar preconceituoso e limitado pode prever. Acredite: o seu preconceito fala mais de você, do que de nós! Freud “lhe” explica!

Sorriso/MT elucubrando a vinda para Brasília/DF, 23 de março de 2016.



Simone Steffani.

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