Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

segunda-feira, 14 de março de 2016

Texto feminista dos tempos "idos" da advocacia...

Vocês acham que quando a gente fala em feminismo estamos levantando uma campanha de castração de homens? Que a gente vai alforriar a depiladora, a cabeleireira, os cosméticos, o salto alto, a gilete ou a manicure? Que por falar em descriminalizar o aborto a gente vai parar de usar métodos contraceptivos pra começar a engravidar e abortar, afinal, com toda certeza, aborto deve ser melhor do que orgasmo e chocolate, não é mesmo? Delícia! Vocês acham que a gente quer obrigar você mulher que fica em casa a sair trabalhar fora ou que a gente está ofendendo o seu ser “do lar”? Caraca guria, você pode ser puta, Amélia, perua, galinha, vaca, serpente e o bicho que quiser! O que a gente quer é liberdade pra você não ser julgada, não ser a apedrejada de todas as vezes. Vocês acham que a gente tá aplaudindo de pé os 30% a mais que os homens ganham para fazer o mesmo que nós em nossas respectivas profissões e, ainda brincando toscamente: “É feminista, então paga/divide a conta.”. Ora essa! Paga você com seus 30% a mais, porque ser feminista nos dá o direito de gastar no que bem entendemos e ser mulher não é barato! Portanto, ao invés de vir com a piadinha da conta do restaurante ou do motel, vai morrer na guerra, já que isso é coisa de macho não é?! Vocês acham que quando a gente fala em feminismo a gente está dizendo que “odeia” homem, pênis e tudo o mais que a natureza lhes deu? Cara, homens são necessários pra nós, principalmente quando somos hetero, afinal nem só de língua e dedo se faz uma boa transa! O que a gente não gosta é de homem fascista, homem burro, que não lê, baba ovo de patrão, daqueles que usam a frase “vai pra Cuba”, a gente não curte homem que manda a mulher lavar a louça, que tem nojo e incompetência até pra fazer um sexo oral decente na mulher, (mas adora falar do alistamento militar e da gororoba que o exercito lhes servia)! Esse tipinho que acha que de dentro da vagina da criatura vai sair um monstro e engolir eles lá pra dentro, tamanha a incompetência e o medo do cabra! A gente gosta de homem e só queremos do mundo o respeito que eles tem, não porque somos “delicadas”, “maternais” ou “meigas” (aliás, quem disse que a gente é isso aí galera?), mas porque somos humanas e só por isso merecemos respeito! Queremos que o nosso “não” seja interpretado como “não”, que nossas roupas, curtas ou longas, chamem a atenção se for o caso, mas não sejam um convite à cantada escrota e nem desculpa pra estupro de vulnerável. Queremos poder beber o quanto quisermos sem sermos molestadas por macho broxa que precisa pegar a mina bêbada, porque sóbria ela fugiria dele e se recordaria que o “pintinho amarelinho” do coitado não cabe nem na “mão”. Queremos liberdade para não termos medo de ir a pé até um ponto de táxi sozinhas à noite. Entenderam? A gente não quer o mal de ninguém! A gente quer é respeito, meu amor! Respeito, pai do amor ao próximo, aquele que Cristo falou há milhões de anos e vocês, que andam com a bíblia embaixo do braço e postam versículo todos os dias na internet, ainda não conseguiram compreender, porque respeitar o igual é fácil, o diferente não. Daí jogam pedra na Geni, jogam pedra no cotista, jogam pedra no umbandista, jogam pedra no ateu, jogam pedra no socialista e segue esse baile hipócrita de apedrejamento em que só “vocês” são “justos”. Sim, sim, eu manjo dessas “nóias” de vocês que entenderam o “amar ao semelhante” no sentido literal: só amam o seu reflexo, o seu igual. Realmente, a falta de interpretação de texto e o analfabetismo funcional não é uma celeuma atual! 

Crônica de Simone Steffani quando exercia sua profissão de formação (Direito).

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