Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Da Cláudia à Simone. Dos erros à paz. Da prostituição da alma ao aluguel da companhia.

Da Cláudia à Simone. Dos erros à paz. Da prostituição da alma ao aluguel  da companhia.

Há não muito tempo, confesso-lhes, eu queria encontrar um amor e dava muito de mim para seduzir os homens que me chegavam. Outro dia, ainda, com um adorável cliente, conversamos sobre cinema. Disse a ele que em Sorriso/MT, apesar de gostar muito da sétima arte, fui ao cinema apenas uma vez, pois os filmes demoravam a serem lançados no cinema local.
Contei-lhe, pois que assisti a comédia "Homens são de Marte e é pra lá que eu vou...", ainda disse a ele que a personagem protagonista era uma caricatura de todas as mulheres, pois mudava de personalidade conforme o pretendente. Mas, há poucos, rindo sozinha, lembrei-me de meu passado... E me identifiquei com a caricatura de toda mulher que cultiva o romantismo abusivo em mente.
Eu sempre tive personalidade forte, poucas certezas, mas muitos princípios. Todavia, já fui carente. Filha única, vi os meus pais se divorciarem justo quando me formei (eu tinha 22 anos quando me graduei e passei na OAB) e minha mãe sonhava em viajar com o marido na boleia do seu caminhão... Vi com muito pesar a mulher que mais admiro no mundo (e sem a qual eu não estaria aqui em Brasília na minha nova profissão) sofrer! Justo ela que teve meu pai como único homem na cama e fora dela. Senti, naquele momento, vontade de ter um refugio, de fugir da rotina entre eu e ela e a Fifilinda, nossa gatinha naquela época.
Fui vítima de uma sogra elitista que me tratava mal porque eu era mais jovem e mais pobre que seu filho. Deixei-o, conheci meu ex-marido quando ainda era apaixonada pelo o outro que, com 42 anos, naquela época, não se posicionava frente à mãe dominadora e maldosa (apesar de religiosa, muito religiosa! Coisa que, pra ajudar, eu nunca fui...).
Este, o ex-marido, em breve me fez apaixonar-me, mas ele era um machista que me endeusava e depreciava todas as mulheres que existiam. Eram todas "vadias", eu era a lady que domou o seu “indomável” coração. (Quisera eu ser uma das vadias que ele criticava!). Eu era uma machista com ele e como ele.
Assim como já fui fã ambientalismo graças a outro, super natureba com um, super nerd fã de rock irlandês com outro, bastante elitista com o último. Ou seja, eu prostituía a minha essência, não o meu corpo. Em prol do que? De ter um amor, uma companhia? De ilusões, isto sim! Obviamente todos se apaixonaram por mim! Eu era a alma gêmea deles. Aham! Era, porque omitia uma parte de mim, até que eu mesma me cansava e terminava com eles.
Sem dó, nem piedade, diga-se de passagem. Um deles até disse que aquela canção sertaneja sem letra do Fernando e Sorocaba, “Mármore”. (coração de mármore) ou algo assim, foi inspirada em mim.
Eu prostituía a minha essência para ter um relacionamento. E eles também nunca foram após uns meses o que eram ao me conhecer. Eram estelionatários afetivos, só que criavam apego por mim. Por quê? Porque na cama eu sempre fui tarada. A relação podia estar péssima, tesão não me faltava. (Credo, lendo isso até parece estranho. Mas é verdade! Eu transei com meu ex-marido na noite anterior a eu tomar coragem e deixa-lo. Ele era violento verbal, física e psicologicamente, mas em tal época ele estava usando muito bem a máscara do “eu mudei como eu disse que mudaria”).
Hoje eu alugo uma hora ou mais do meu corpo, do meu afeto e da minha alma, mas eu sou mais minha, eu me amo mais e gosto da minha vida como nunca amei ou gostei.
Acreditem: prostituir ou alugar o corpo (não é venda, porque ninguém me leva para nunca mais entregar, do contrário o valor seria astronômico... Risos...) não é o que de pior eu já fiz na vida!
Eu não minto, não sou falsa, não iludo e nem sou iludida, eu sou eu mesma com meus clientes e sou deles pelo tempo que desejam, mas sem legar minha forma de pensar a “coisa nenhuma” para conquista-los. Eu não preciso conquistar o seu amor, eu já me amo o suficiente. Eu quero mesmo é ter e dar prazer e, depois, tomar uma taça de vinho, uma cerveja gelada, ler um livro, assistir a um filme ou seriado, escrever uma crônica e dormir tranquila! E só, porém muito, muito em paz.
Libertar-se da necessidade de ter alguém ao meu lado para viver só, ser minha, só minha é o que de melhor fiz nesta minha linda e muitíssimo intensa e bem vivida existência!
Simone S.

Brasília/DF, 25 de abril de 2016.

Um comentário:

  1. Cara Simone

    Encontrei seu site/blog ao navegar entre notícias. Inicialmente, o fetiche é que me motivou - o meu, como o deve ser de muitos, de ver, conhecer, sentir uma ex-advogada como garota de programa. Mas tenho que confessar que o que me encantou, além de suas formas e sorrisos, mesmo cá da tela, sem o 3D das mãos e bocas em mãos e bocas outras, ou suas, foi, ao ler o texto "Da Cláudia a Simone. Dos erros à paz. Da prostituição da alma ao aluguel do corpo e da companhia", sentir a mulher, seja ela Simone ou Cláudia, mas a que sente e pulsa, a que se descobriu ao se redescobrir. Entrarei em outros momentos, menos turbulentos que esta tarde de 21 de junho, para ler e te conhecer mais.

    Abraços

    Falstaff

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