Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

terça-feira, 26 de abril de 2016

Eu sou indomável: de Clarice Lispector à conselhos não pedidos e elogio respeitoso e digno via Tinder.

CURIOSIDADE SOBRE CLÁUDIA E SIMONE...

Domingo à noite, em torno de umas 22 horas, um homem que combinou comigo no Tinder disse que uma cartomante viu nas cartas que ele ia encontrar uma dama de “sei lá o que” e que a mesma era a sua “alma gêmea”, o grande amor da sua vida. Segundo ele, a dita cuja seria euzinha. Risos...
Pois bem, me convidou para jantarmos durante esta semana no melhor local da cidade e, ontem à noite, me chama no whatts. Disse-lhe que eu estava indo dormir, pois precisava descansar minha pele e, de fato, dormi antes das 23 horas.
Hoje pela manha, pois ele me diz que viu que eu sou extremamente sofisticada e que ele, funcionário publico, só teria para me oferecer o “status de casadinha”, boas viagens e algo do tipo. 
E, depois, começou a enumerar dicas para eu prosperar ainda mais no meu ofício. Suas dicas foram desde me filiar a um partido e me candidatar a deputada distrital até me tornar membro de alguma liga, acho que de combate a violência à mulheres (obviamente, deletei a conversa, tão logo bloqueei o cidadão).
Ah, disse também para eu me inteirar de técnicas de dominação para satisfazer fetiches de clientes.
Segundo ele, inserida no mundo politico eu conquistaria os clientes mais “seletos”! Parece-me ter sido esta a palavra. Respondi que uma coisa é ter um rendimento de deputado, outra é ser culto, educado, bem informado, bem letrado e interessante. Não é a maioria deles que são “seletos” sob a minha ótica. Está aí o domingo da votação do impeachment de prova.
Enfim, vários conselhos, mas nenhum solicitados. Frise-se que nunca vi a pessoa pessoalmente na minha vida.
Ademais, qual é a “nóia” dos homens de que devemos procurar um deputado para nos sustentar? Qual é a “pira” de que toda mulher quer achar um marido rico para lhe bancar e de que nós, escorts, desejamos um marido rico?
Bem, não sei como as demais pensam e, devem saber, não faço questão de ter amizade com nenhuma, mas eu Cláudia/Simone digo categoricamente: se eu quisesse isso, já teria encontrado e estava lá no MT casada com algum latifundiário da soja.
Eu sou indomável, não gosto de ser mandada, não gosto de ser silenciada, não gosto de obedecer (fora do sexo), não gosto de prestar contas, não gosto de fingir coisa alguma e a dependência econômica gera o dever de silenciar. Como você vai reclamar de eventual desrespeito ou algo do tipo de um marido que lhe sustenta? Sem o qual você não pode nem retocar a raiz do loiro das melenas? Sem o qual você não tem nada, nem os próprios perfumes, cremes, bolsas, sapatos e conforto? Arre gente!
Eu não quero marido não! Parafraseando a imbatível Clarice Lispector: “Liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome.”.
Eu ganho bem, sei que ganharei mais ainda (gente, hoje faz 19 dias que estou morando aqui em Brasília e, benzadeus!, ganhei mais do quem em dois meses de trabalho como professora universitária), estou cada dia mais feliz na minha função de cortesã. Posso querer e quero clientes que me paguem um cachê mais condizente com a minha sofisticação e afetuosidade, mas não, não quero marido. Eu não sou a mocinha que precisa ser salva do seu oficio.
Não acho indigno o que faço, pelo contrário! Tanto que não me escondo e revelei minha identidade! Indignidade pra mim é depender emocional, financeira ou psicologicamente de alguém. Indigno é afanar dinheiro de cliente, indigno é ser corrupto, indigno é ser deputado e votar “pela família” e não dar justificativas jurídicas ao seu voto, indigno é ser politico e não saber que o Estado brasileiro é laico, indigno é se fingir de santa pra dar casar, indigno é se fazer de tarada pra conquistar o coração do macho, casar e transar uma vez por quinzena, indigno é engravidar pra segurar o marido, indigno é ser desonesto consigo mesmo e com o mundo!
Você discorda? Respeito-lhe e jamais irei discutir isso com você, até porque eu não sou o tipo de pessoa que discute, bate boca, mas, também respeito a mim e ao fato de eu amar o que faço, de querer investir o meu dinheiro em leituras e estudo e, futuramente, em viagens e de desejar trabalhar nisso enquanto minha libido permitir! Ponto.
Fora isso quer postar aqui um elogio muitíssimo elegante de um rapaz que combinou comigo no Tinder e que, chamarei aqui de A.. O A é um jovem bonito, educado e perspicaz cuja postura serve de exemplo ao mundo: fazer um feedback positivo de algo, porque dar conselhos não solicitados, além de desagradável, faz a pessoa parecer meio pinel, sei lá!

Viram que legal?! Uma pessoa educada, gentil e respeitosa. Gostei!
Acabei de atender a um cliente, paulista, residente aqui, alto, bonito, magro, extremamente carinhoso e bom de cama. Muitos beijos, ótimos beijos! Eu estava rescrevendo este texto antes dele chegar...Risos...
Agora vou ligar para minha mãe, já que meu pai já me ligou. Minha irmãzinha estava com saudades de mim desde ontem, estranho que ontem a tardinha cochilei e sonhei com ela. Chegou me dar uma dor forte no coração de saudades! 
Estou mais em paz após ouvir aquela vozinha linda me chamando de "Cádia"...Risos...
Beijos de luz!

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