Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Simone também é cultura! Dos 40 anos do assassinato de Zuzu Angel!

Gente, hoje fazem 40 anos do assassinato da estilista Zuleika "Zuzu" Angel pelo governo militar  brasileiro em 14/04/1976. Triste período para a história do Brasil. (Minha mãe me chamava se "Zuleika" quando eu era criança. Era um "apelido" carinhoso!).Minha mãe me deu S
hopenhauer para ler aos 8 anos! Ela é uma pessoa atípica. De toda forma, a história da Zuzu me emociona. Uma mãe não merece morrer sem poder enterrar seu filho.
Uma mãe não merece que seu filho não tenha um julgamento, não possa exercer o seu direito de defesa e ao contraditório. Nenhuma mulher merece o que Zuleika passou. Nenhuma.
E nenhum jovem, delinquente que seja, merece o fim que Stuart teve. Todos devem poder se defender e argumentar! E é por isso que para os saudosistas do período de ditadura eu só ofereço sexo. Anal, oral, convencional, tudo muito bem feito, com força inclusive, mas não lhes ofereço a minha admiração tá gente?! Os livros de história e os meus 20 anos de "escola"/estudo não me permitem tal ato. 
Tem um filme com o nome dela, quando professora apresentei aos meus alunos de Direito Constitucional I no período em que estudávamos os direitos fundamentais e as constituições brasileiras no período ditatorial. 
Abaixo reportagem e parte da carta remetida pela Zuzu aos lindos Chico Buarque e Marieta Severo, então sua esposa: 
"A estilista Zuzu Angel, que deu repercussão internacional ao “desaparecimento” de seu filho Stuart Edgar Angel Jones, morre num acidente automobilístico na saída do túnel Dois Irmãos, na autoestrada Lagoa-Barra, no Rio. De acordo com a versão oficial, ela teria dormido ao volante de seu Karmann Ghia. A estilista havia deixado uma declaração, escrita um ano antes, na qual alertava: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil considerou o acidente suspeito, conforme documento revelado pelo Wikileaks, em 2013. Investigações posteriores à redemocratização deixaram claro que se tratou de um atentado. O carro que ela dirigia foi abalroado por dois outros veículos. 
Zuleika “Zuzu” Angel era uma estilista famosa desde os anos 1960 por suas criações com motivos brasileiros, que também faziam sucesso nos Estados Unidos. Foi casada com o norte-americano Norman Angel Jones. Tiveram dois filhos: Hildegard, que viria a se tornar uma influente jornalista no Rio, e Stuart Edgar, estudante de economia que militou no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). 
Preso em 14 de abril de 1971, Stuart Angel Jones foi torturado até a morte por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa) na Base Aérea do Galeão. Os agentes queriam que ele informasse o paradeiro do ex-capitão Carlos Lamarca, que na época estava em contato com o MR-8. Stuart, que tinha um encontro marcado com Lamarca, nada revelou. De acordo com relato do militante Alex Polari de Alverga, que também estava preso no Galeão, o estudante foi amarrado a um jipe militar e arrastado pela pista de pouso. Quando o jipe parava, os agentes levavam a boca do rapaz ao cano de descarga e o forçavam a respirar os gases do escapamento. Numa carta que chegou às mãos de Zuzu Angel no Dia das Mães, Polari contava que o filho agonizou abandonado na pista, pedindo água. Apesar do relato, a ditadura não admitiu publicamente a morte do militante e manteve a fotografia de Stuart Angel Jones nos cartazes de “terroristas procurados”. 
As primeiras versões para o desaparecimento do corpo indicavam que teria sido lançado ao mar do alto de um helicóptero. Em 2014, um ex-agente da da repressão disse à Comissão Nacional da Verdade que ele estaria enterrado numa das cabeceiras da pista de pouso do Galeão. Dois anos depois do desaparecimento de Stuart, a mulher dele, Sônia Maria de Moraes Angel Jones, também foi presa, torturada até a morte e dada como “desaparecida”. 
Inconformada com o silêncio da ditadura sobre a morte do filho e da nora, Zuzu Angel iniciou uma corajosa campanha de denúncia dentro e fora do país. Como Stuart herdara do pai a cidadania norte-americana, Zuzu entregou um dossiê ao secretário de Estado Henry Kissinger, que visitou o Brasil em 1976. Também escreveu ao senador democrata Edward Kennedy, que denunciou o caso no Congresso dos Estados Unidos. Em Nova York, a estilista promoveu um desfile de roupas estampadas com anjos feridos e pássaros engaiolados. Atrizes de Hollywood como Liza Minnelli, Joan Crawford e Kim Novak ajudaram a divulgar as denúncias.
Um ano após sua morte, Chico Buarque de Hollanda homenageou Zuzu Angel na letra de "Angélica", com música de Miltinho do MPB4: “Quem é essa mulher/Que canta sempre esse estribilho?/Só queria embalar meu filho/Que mora na escuridão do mar”."

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