Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

terça-feira, 12 de julho de 2016

Sobre os meus primeiros 3 meses!

Sobre os 3 meses de aniversário da Simone Steffani!

Ontem, às 23h30min fez três meses do inicio da minha nova profissão!
Eu não poderia deixar de, na data de hoje, escrever sobre o que aprendi nestes dias.
E é por conta do conteúdo que este texto segue remetido ao link “Social” bem como ao de “Tutoriais e Crônicas”. Creio que exista, nas minhas experiências, algo de socialmente “útil”.
Enfim, faz 3 meses que passei a integrar uma classe minoritária e vitima de constante preconceito. Vitima da sociedade hipócrita, obviamente, onde se vender para casar com marido rico é interessante, mas ser dona do seu nariz, do seu corpo, do seu gozo, do seu sexo e de seu dinheiro assumindo para o mundo que eu gosto demais de sexo e que unir o agradável ao útil foi uma opção madura.
Uma opção bem pensada e, portanto, sensata. Eu penso assim, a pessoa que mais me ama no mundo e a única que me importa (minha mãe), concorda, portanto eu afirmo: conhecendo-me bem, sabendo do meu fogo e do quanto eu gosto de homem e de contato imediato (as pessoas desconhecidas sempre são muitíssimo interessantes!) está foi, sim, a minha melhor e mais corajosa decisão.
Posso escrever, estudar, ler, interagir quando quero e com quem desejo e, ainda, ganho para ter e dar prazer! Não vejo, realmente, nada de criticável ou feio nisso. Feio mesmo é o preconceito, é a atitude dos paladinos da moral e dos bons costumes conservadores que atiram pedra no telhado alheio. Miseráveis! Esta palavra lhes define.
Aprendi nestes meses que a postura que escolhi desde o primeiro dia foi a melhor que eu poderia ter. Atraio clientes agradáveis, preocupados com o meu prazer, educados, cheirosos e gentis. Obviamente, não sou procurada apenas por estes. Existem os tolos que são incapazes de achar uma foto num site, os coitados pechincheiros, os ricos sem cultura que não sabem conjugar direito verbo com sujeito, os “manés” cheios de lábia que acham que vão agradar, existem os ignorantes, mas estes todos apenas me abordam e são, na “sequencia”, rechaçados e bloqueados, ou seja, não são e jamais serão atendidos por mim.
Não atendo cliente que liga após a meia noite e antes das 07h30min da manha. Sou acompanhante e não medico plantonista. Exijo respeito e só dialogo com quem age com respeito e educação para comigo.
Pelo fato de eu não atender ligações de quem não conheço após a meia noite (posso atender tal horário apenas e tão somente se o cliente tiver marcado anteriormente comigo e tiver uma boa razão para poder me ver apenas em tal horário) nunca tive nenhuma experiência com homens alcoolizados ou drogados. Menos ainda, violentos!
Ademais, atendo à noite apenas em hotéis, o que me dá segurança. Não vou a motéis com clientes estranhos à noite, apenas me sujeito a ir se o cliente já é meu conhecido e “fiel”.
Não vou a clubes de swing, não procuro clientes em bares ou em boates. Economizo-me ao máximo da exposição desnecessária e, nem sempre, lucrativa. Exposição está que, não raras vezes, impõe riscos: homens bêbados, alterados, mal intencionados, etc..
É triste dizer o que lhes direi, mas é verdade: a gente ganha o respeito que se dá. Ninguém precisaria impor aos outros o que é seu por direito, mas na sociedade machista e, sobretudo, no “universo” de preconceito e até de depravações que circunda o sexo enquanto profissão, nada mais franco do que admitir: a gente ainda precisa lutar, aberta ou silenciosamente, para obter o que é um direito inerente a todo ser humano pelo simples fato de existir, a respeitabilidade, o trato educado e gentil.
Eu vou além, exijo o fino trato. E, assim, posso lhes dizer que, conclui em três meses, que eu nasci para ser acompanhante. Eu nasci para fazer sexo e receber por isso. Eu nasci para gozar e fazer gozar sem me preocupar com amor, ligação no dia seguinte, futuro, comodismo, cotidiano e etc..
Na medida em que os relacionamentos evoluem o sexo amorna, a amizade domina e o empenho para dar prazer ao outro diminui. É a rotina, é o cansaço, é o sentir-se amado e achar que isso é tudo, que é o suprassumo do relacionamento. Eu não preciso me sentir amada, eu me amo e me basto, eu preciso mesmo é me sentir cuidada. Eu gosto mesmo é de ver o outro tentando me dar prazer. Eu gosto mesmo é de ver a excitação do homem ao meu olhar, ao enxergar eu abocanhando seu pênis e corpo com vontade e desejo. Eu gosto mesmo é de sentir-me desejada na cama! Claro, adoro ser intelectualmente admirada, mas, para isso, não preciso de “trabalho” algum. Cultura e inteligência eu tenho, simples, é um fato!
Enquanto inúmeras mulheres românticas transam esperando romance, eu faço sexo por prazer e recebo ao término. E isso não impede que surja uma relação de amizade, bom dialogo e até admiração mutua. Enquanto inúmeras moças fazem sexo por prazer com quem desejam sem esperar afeto ou futuro, eu faço o mesmo, mas ganho por isso! Ou seja, não faço nada de anormal, apenas agreguei um “plus” ao que sempre gostei!
A minha profissão não colide com minha postura feminista. A minha profissão se coaduna com ela, porque eu sou livre. Livre para ter decidido por este caminho, livre para usar o meu dinheiro com quem amo e com aquilo que amo, livre para me amar, livre para pensar como penso sem ter que dar satisfação a ninguém.
Livre de alma, pois não preciso seguir a cartilha da sociedade conservadora e hipócrita para ser feliz! Não preciso parir, porque sou livre para fazer o que desejo com meu ventre. E eu decidi que ele não irá gerar vida alguma, jamais. Livre para não precisar de um marido pra me sentir completa.
Livre para não precisar de um namorado no dia dos namorados. Livre para sambar na cara da sociedade e dizer: eu não tenho nada a esconder de ninguém, eu não digo que “amo”, eu não sou infiel, eu não iludo, e você? Eu não faço ao outro o que ele não deseja para si, e você?

Um parêntese: sobre preconceito, gays e violência:
 (Hoje eu me emocionei ao ler a notícia do jovem espancado e assassinado em Salvador por ser gay. Depois me emocionei ao saber que a belíssima modelo transexual Viviany Beleboni, que encenou a crucificação da parada gay ano passado, foi novamente vitima de violência.
Tenho profunda empatia com os homossexuais, porque, como as prostitutas, eles são vitimas de preconceito por sua sexualidade. Ou seja, algo que não afeta a vida de ninguém, a menos que a pessoa queira ser “afetada” é a razão para escarnio, “caras viradas”, “encaradas” repressoras, violência verbal, psicológica e física (a pessoa será “afetada” pela minha sexualidade se me procurar, conquistar minha simpatia e me contratar, assim como alguém se “afetará” com a homossexualidade de um gay se flertar e transar com um! Eles, assim como as cortesãs, não saem “estuprando” ninguém!).
Todo dia um gay é vitima de violência, então eu me pergunto: o que há de errado com a humanidade gente? O que há de errado com os cristãos? Cadê o amor ao próximo? Cadê o respeito? Cadê a decência? Por que tanto ódio contra quem tem coragem pra ser feliz e se assumir?
Ninguém escolhe por quem vai ter atração sexual! E ninguém é superior a ninguém porque gosta de “ppka” ou pinto! Ou seja, parem se incomodar com a sexualidade alheia! Eu só fui apedrejada pelos moralistas paladinos da “moral” e dos “bons costumes”, por esse povo que "tem" Deus no coração e fel na língua. Por esse povo miserável que acha que é perfeito, porque decorou trechos da bíblia.
Arre, às vezes eu tenho preguiça deste mundo e um profundo alívio por não ter colocado mais um ser humano neste universo de ignorância! Está na hora dos dinossauros voltarem! Gente, deixem os gays andarem livres, de mãos dadas, de blusa cor de rosa, de shortinho ou como quiserem! Deixa a bicha ser louca! Deixa a bicha ser feliz! Cuide, isto sim, do seu bicho interior. Deste animal feroz que lhe faz achar as suas predileções mais dignas, os seus pecados mais "perdoáveis". Deste animal chamado preconceito que você alimenta com sua arrogância.
Você não acredita em Deus? Se acredita, então você deve saber que você não é Deus e não tem o poder de julgar pessoa alguma! Por falar em credo, aí que a situação “complica”! Disse o oligofrênico repórter de programa sensacionalista ou a filha do magnata da televisão que o "problema" do mundo é as pessoas "sem Deus no coração". Os ateístas e agnósticos, enfim. O estranho é que eu nunca vi um ateu homofóbico! Erguendo um livro e dizendo que homem transar com homem é abominação! Nunca vi um ateu matar outra pessoa por discutir religião, bíblia e etc.. Aliás, até onde eu sei a população carcerária é sumamente deísta.)
Ou seja, não falta religião e não falta discurso moralista no mundo, falta respeito ao próximo! Faltam pessoas bem resolvidas consigo mesmas a ponto de cuidarem, única e exclusivamente, de seus corpos e da sua sexualidade. Falta gente fiscalizando a própria vida ao invés de cuidar do cu alheio. E da buceta, inclusive.
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 12 de julho de 2016.


11 comentários:

  1. Sou novo no seu blog, e fico admirado com a sua coragem em assumir o que faz, você é linda, inteligente e decidida, espero em breve fazer parte de um relato seu...
    Beijos para você!!!

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    1. Boa tarde!!!
      Opa, fico feliz, obrigada pelos elogios!!!
      Faço questão de ter mais um leitor conferindo a realidade dos atendimentos aqui relatados!
      Procure-me tão logo possas!
      Beijos!

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    2. Com certeza vou te procurar, a propósito, me chamo Luís, não sei se meu nome apareceu no primeiro post.

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    3. Não, mas agora apareceu! Lembrar-me-ei (risos...) de você Luis Oliveira! Beijos!

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  2. Se encontrar em uma profissão é pra poucos, que bom que encontrou a sua :)
    Quanto ao texto: Ótimo, como sempre.
    É incrível que mesmo não nos relacionando de nenhuma maneira, apenas nos comentários, nossas ideias são as mesmas.
    E olha que nem é tão difícil pensar igual a gente, é só respeitar os outros, coisa simples mas que parece que nossa sociedade não entende.
    Mais uma vez ótimo texto.
    Bjs
    Ricardo

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Ha-Ha-Ha! Interrompo o seu textão para o pronunciamento do meu "foda-se" e do tradicional: vá carpir um lote antes de cagar regra cristã em quem caga e anda pra você e pra elas! Beijinho no ombro crentelho inútil!

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  4. Além de linda, eu fico realmente encantando pela maneira altiva e aberta com que você trata as suas escolhas.Num país,ou num mundo em que a atividade sexual remunerada Vilanova e transforma em objetos as mulheres na cabeça doente de grande parte da sociedade, o reconhecimento da chamada "mais antiga das profissões" como uma profissão de fato, que deve ser respeitada, sem moralismos carolas e machismos escritos é fundamental. Parabéns.Espero conhece-lá.

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  5. Você é feliz e o resto é resto, né? Tudo de bom.. Texto realista. Quantas mulheres conheço que te recriminaram por escolher outra profissão, e hoje aceitam namorar homens ricos, feios,cretinos e nojentos. E ao conversar com os familiares dessas mulheres a gente se decepciona ainda mais, ao invés de desejarem que a filha seja feliz, desejam andar na lancha do cara, desejam passar uma semana na casa de praia dele, achando que a filha fez um ótimo negócio. Dá nojo.

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    1. Exatamente! Como se este ato não fosse típico de "vender" algo. Há venda, só muda o nome. E ainda há a agravante: vende-se jurando amor eterno! ÉCA!

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