Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Tutorial: do ser ASSEXUAL (primeira e objetiva linha de raciocínio) às relações comodistas (segunda linha de raciocínio).

Tutorial: do ser ASSEXUAL (primeira e objetiva linha de raciocínio) às relações comodistas (segunda linha de raciocínio). 

Exemplo/Caso 1: Mariana é uma mulher de 30 anos, acima do peso e super alegre! Não se importa com os padrões de beleza, com a exigência do mundo ao seu redor para que ela emagreça. Quando Mariana vai se servir no restaurante ela recebe olhares de reprovação.
Mariana, bem resolvida, ignora e, ainda, após almoçar se refastela com a sobremesa! Mariana namorou Vitor, um homem com seu nível intelectual que era apaixonado por suas curvas. Conheceu-a e se apaixonou por ela, achando-a linda e gostosa desde o principio. Mariana, porém, não se sentia mais apaixonada e seguiu sua vida, com autoestima e bom humor.

Exemplo/Caso 2: Silvia tem cerca de 30 anos e está acima do peso há quase 6 anos. Pula de uma dieta para outra, de um tratamento estético para outro. Restringe o consumo de álcool e morre de culpa quando come um brigadeiro num domingo.
Silvia olha para os corpos magros e cobiça! Ela não gosta das suas curvas suntuosas, por mais que seu marido manifeste desejo e atração por ela. Silvia se sente infeliz, ela queria ser como as moças das revistas, dos filmes e dos comerciais de televisão.

Ora, mas o que esses casos têm a ver com sexo?
Aparentemente nada, no fundo, tudo: primeiramente você tem Mariana, uma mulher que é feliz com a sua aparência em que pese viva numa sociedade que dita a magreza como sinônimo de saúde e beleza.
Por outro lado, temos Silvia, uma moça que, frente à exigência social e “midiática” por magreza se estressa, se deprime e se judia no afã de mudar e entrar para o “padrão”.
Para Mariana o peso não é um problema, para Silvia é.
Eu gosto de sexo.
Gosto muito de sexo.
Posso dizer que eu amo sexo e que nada no mundo é melhor do que uma boa e devassa transa.
Eu disse isso.
Você pode não pensar isso.
Você não precisa dizer isso se você não pensa isso!
Conseguiu correlacionar?
Não? Então eu explico: a falta de sexo pode incomodar a alguns, como o peso incomoda a Silvia, mas ela (a carência de sexo) pode não representar nada, absolutamente nada para algumas pessoas.
Tais pessoas não veem graça ou necessidade de sexo. Assim como eu não gosto de peitos, vagina e bunda feminina. Não tenho tesão, simplesmente não tenho. Ao contrário, adoro um pênis e um traseiro masculino! Pernas e mãos masculinas me excitam!
As pessoas que NÃO SENTEM NECESSIDADE DE SEXO E NÃO SE INCOMODAM COM ISSO são chamadas de ASSEXUAIS. Elas são psicologicamente equilibradas, seguem suas vidas contentes, têm sua rotina, mas não desejam sexo, não sentem falta e, como Mariana, não se forçam a entrar no “padrão”.
E, no quesito sexo, em que pese circunde tabus hipócritas, existe uma imposição de que todos tenham uma vida sexual ativa. Tanto o homem quanto a mulher. “No sexo há saúde, na falta dele, há doença”.
Sim, existem problemas psicológicos, inclusive, que podem acometer uma mulher e faze-la perder o gosto pelo sexo. Mas tais problemas são tratados: com um bom psicólogo e, em alguns casos, com terapia hormonal ou remédios da nova geração. Basta que a mulher “estranhe” a sua perda de libido e, incomodada com isso, procure ajuda.
Agora, e se a pessoa, incluindo homens, não está “nem aí” para o sexo? E se, passa dia, vem dia, a pessoa está lá, de boa, sem sentir tesão por pessoa alguma, de sexo nenhum, independente da aparência ou o que for? A criatura não se sente incomodada por não querer sexo. Ela segue sua vida, usa sua energia em outras atividades e supera o impulso sexual sem sentir atração homo ou heterossexual.
Essa pessoa tem a orientação chamada de ASSEXUAL. Simples.
Portanto, homens e mulheres que caem neste blog e se sentem assim, sem atração por pessoa alguma e sem vontade de fazer sexo, antes de acharem que eu tenho o diabo no corpo ou que vocês são “doentes”, parem e reflitam se essa ausência de vontade lhes incomoda quotidianamente ou se só vem “à tona” em suas mentes frente à pressão da sociedade para você namorar, beijar, transar e etc.. 
Eu tenho um blog sobre a minha rotina. Um blog cheio de tutoriais e com embrionário aspecto social em prol da classe na qual estou inserida. Eu não quero impor a minha forma de ser ou pensar à pessoa alguma.
Eu gozo de chupar e engolir o gozo do homem. Eu gosto de fazer sexo anal independente do tamanho do membro do homem. Eu gosto disso. Você não é obrigado a gostar, assim como não sou obrigada a transar com mulher, a fazer “inversão” ou coisas sadomasoquistas. EU SÓ FAÇO O QUE QUERO E COM QUEM EU QUERO. Com quem eu tenho a mínima simpatia.
Ou seja, não se force a nada, porque “a Cláudia disse que gosta e que é bom”. É, pra mim é, não precisa ser pra você. Não se maltrate ou não se obrigue a nada.
Mas, sobretudo, tenha decência e ética. A falta de libido pode não ser algo que lhe incomode. Neste caso não case! Não engane o parceiro para conquistar uma “aliança”. Não se torne um ser humano que aplica estelionato afetivo para ter um compromisso sério conforme a “moral e os bons costumes” pregam.
Homem ou mulher algum merece ser negligenciado por um parceiro que não lhes dá atenção afetiva e não sente vontade de fazer sexo com ele. Não coloque ninguém num estilo de vida que é seu. Viva e deixe viver. Você tem o direito de não gostar de transar. Assim como tem o DEVER PARA CONSIGO MESMO DE NÃO FAZER SEXO SÓ PRA “AGRADAR”, mas, também existe o dever moral de não fazer para o outro o que dele não se deseja: não sente mais vontade? Nenhuma? Perdeu o gosto por sexo de vez? A falta de sexo não lhe incomoda? Você não acha que está doente? Seus exames hormonais estão “em dia”? Você realmente não quer saber de sexo? Entabule um dialogo com o (a) parceiro (a). Mantenha a amizade e o respeito, mas se separe. Ser sozinho não mata, viver uma relação por mero costume ou comodismo, por sua vez, é o próprio velório do amor próprio e do auto respeito.
Descubra a sua alegria em viagens, em filmes, em livros, enquanto deixa o outro livre pra fazer o que deseja de “cara limpa”, sem precisar de relações clandestinas para se satisfazer.
“Ah, mas todo casamento chega um dia que termina a paixão e o desejo e impera a amizade”. Talvez. Não vou questionar, creio, porém que é este o dia para terminar a relação e partir pra outra. Ou, então, ficar só. Forever alone, que seja. Porque amizade até um bicho de estimação lhe oferece. Vai doer? Vai. Você romperá, também, com sonhos e planos frustrados. Você sairá da zona de conforto do “costume”, do hábito, da rotina.  Mas, vai passar e você estará livre, leve e solto para redescobrir a alegria de uma vida bem vivida e não, meramente, empurrada com a barriga.
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 06 de julho de 2016.

8 comentários:

  1. É isso ai, o mundo social está repleto de padrões e imposições que exercem uma violência simbólica sobre todos nós. Conhecer um pouco mais da sociedade e que ela é também feita por esses padrões é um ótimo recurso para refletir e tentar mudanças, acredito que essas mudanças começam em si, mas quem sabe uma militância, aderir à movimentos sociais, enfim, tem pra quem quer.

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  2. Olá, Cláudia. Saiu hoje a primeira publicação sua no blog «a funda São». Está aqui.
    Espero que goste. Se houver algo que pretenda que eu mude, é só dizer.
    De futuro, farei uma publicação por semana de uma selecção de textos seus.
    Mais uma vez, bem haja!

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    1. Olá!!
      Adorei!
      Siga publicando conforme desejares, tens minha liberação!
      Beijos!

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    2. Que bom!
      Bom quase fim de semana!

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  3. Muito bom texto, sem palavras.
    PS: Vi suas fotos e adorei, você é realmente linda.
    Bjs.

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    1. Obrigada!!!!!
      Super beijo! Dia 24/07 farei novo ensaio!
      Beijos!

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  4. Nossa!!!! Não sei te dizer como, mas eu sabia que podia encontrar algo que pudesse me ajudar em seu Blog. Adorei..

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    1. Opa Loreane querida!!!Fico muito feliz!!!!!!Super beijo!

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