Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sobre ser feliz sozinha e livre de romances tóxicos.

Sobre ser feliz sozinha e livre de romances tóxicos.

Querida livre-se de “amores” ruins, ou melhor, de paixões tóxicas! “Mas, Cláu como saberei quando estou diante de uma paixão toxica?”. Quando o outro não lhe compreende, quando, diante de alguma reclamação atinente a sua forma de se relacionar, ele tenta lhe dissuadir, ainda que sarcasticamente, fazendo de conta que você é desequilibrada, exigente demais, difícil ou coisas afins.
Ou seja, não compreende e quer lhe “culpabilizar” por saber o que quer e deseja e deixar isso claro pra ele que, por sua vez, não se interessa em lhe entender. Quando chovem “eu te amo”, mas faltam “bom dia”, “boa noite”, “como foi seu dia?” e outras pequenas demonstrações reais de afeto que podem ser demonstradas até quando a pessoa vai ao banheiro defecar! Em era de internet o estar ausente não é uma questão de distância física, mas de vontade. Faz-se presente quem, do outro lado do mundo, da afeto, cuidado e atenção. Repito: celular pode ser levado ao banheiro! E todos vão ao banheiro!
Quando você começa um assunto em que pede respeito e consideração e termina pedindo desculpas por ter abordado o “tema”. Quando o cidadão lhe jura amor, mas é comprometido e espalha que é “feliz” pelo mundo. Quando o cidadão é comprometido, afinal, quem engana uma, engana outra e quem não tem coragem para se separar, mas jura amor à outra pessoa, não terá coragem de se separar jamais!
Enfim, no fundo é fácil amiguinha, um dia você aprende a se amar e a hora de dizer “chega, eu não mereço incômodos”! Relações amorosas existem para lhe fazer bem, certo!? É incoerente? Não lhe compreende, mas "julga" mal? Frustra? Desista, você merece mais, ainda que isso signifique ficar na paz da sua bem resolvida solidão! A vida é muito curta para desperdiçar tempo esperando a mudança de atitude de quem não quer mudar. Não se trata de pressa, mas de ojeriza a perda de tempo!
Confesso que  têm dias em que eu queria ser dessas pessoas que acreditam que o outro não fará com elas o que fez com outrem. Eu queria ser dessas pessoas que se acham especiais ou "milagrosas": a amante que confia cegamente no parceiro que traiu a esposa para ficar com ela, a amiga da fofoqueira que fala mal da outra "amiga", a namorada nova do rapaz que vive chamando a ex de "maluca" e que se faz de vítima o tempo todo, eu queria ser daquelas que acham que vão mudar o outro, que farão uma revolução benéfica na vida alheia.
Enfim, eu queria ser dessas criaturas que se acham mártires, salvadoras e super especiais! Acho que foram minhas experiências que fizeram de mim uma pessoa tão objetiva, racional e "desconfiada". Tão desapegada de desafios e do meu "ego". Sou segura de mim, porém tenho sempre com um pé atrás quando vejo falta de lógica e de coerência nas atitudes alheias.
Não creio mais em palavras, acredito no que vejo e morrerei sem crer no que não vi. Tornei-me mais exigente, mais seletiva e, consequentemente, incompreendida. Mas, francamente, também me tornei realmente independente da opinião alheia! Quem me ama, compreende sem criticar, quem não ama, não me interessa, quem diz que ama e não compreende? Ora, não ama!



Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 22 de agosto de 2016.

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