Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Faço sexo por dinheiro sim: e amo! Foda-se você!


Faço sexo por dinheiro sim: e amo! Foda-se você!

Eu acho que esse assombro em relação ao sexo como profissão deriva, além da romantização do relacionamento sexual proveniente da sociedade patriarcal, de uma espécie de sacralização do corpo, da matéria. 
Nossa, não deve ser fácil", dizem. Ora, pra quem, como eu, por mais que ame o próprio corpo e a si mesma, sabe que o sagrado está na mente, na psique, no cérebro, não é difícil não! Sexo são sensações e se você liberta-se de amarras mentais durante determinado tempo, você vai ter sensações boas! Seguidamente deliciosas. 
E, além disso, tem o diálogo, o desconhecido, aquele momento em que você se admira com a inteligência, cultura e conhecimento do outro ou pensa "coitada da esposa deste 'cabra'!".É bom: a esposa não é você e pra você ele dá o que de melhor pode oferecer: simpatia, humor, prazer e dinheiro! 
Não foi "fácil" pra mim estudar anos e ser vítima de machismo, de mulher ciumenta, de cantada de macho escroto, de homem abusivo, de cliente barganhando contrato "sob pena" de pegar um no Google, de juiz que acha que é Deus e promotor que viveu numa redoma de vidro até passar no concurso! 
Arre, chega de demonizar algo que não é criminoso e nem degradante. Não quando se opta por tal oficio e nele só se faz o que se gosta, sem se expor ao que não agrada só pelo "money"! Ora, os seus preconceitos, dogmas, recalques e mimimis são seus! 
Aceite que uma pessoa pode ser feliz transando com estranhos e recebendo para isso. Estranhos que podem ser mais carinhosos nas carícias comigo do que com a esposa que ele apalpa e diz "vamos transar?". Estranhos que me ensinam e me divertem mais do que muito cara que eu já chamei de "amor". 
Julgar uma vida que não se vive com base nas suas predileções e não nas do "vivente julgado" é um ato de extrema ignorância, pobreza de espírito e tacanhez intelectual. Lamentavelmente, é "coisa" da maioria frustrada que se faz de "feliz" na internet e no almoço de domingo e que diz que pessoas como eu arderão no "fogo do inferno"! 
Ora, eu não acredito e nem temo está invenção religiosa criada para manipular seres sugestionáveis, inferno, para mim, é conviver com a raça humana, tão crente, tão arrogante e tão ignorante!

Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 29 de setembro de 2016.

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