Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sobre amor, sexo e infidelidade.



Sobre amor, sexo e infidelidade.

Disse Theophile Gautier: “Amar é admirar com o coração. Admirar é amar com o cérebro.” Posso dizer a quem interessar possa que esta é a frase da minha vida, juntamente com uma oriunda da canção de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor: “Amor é para sempre - Sexo também- Sexo é do bom - Amor é do bem- Amor sem sexo é amizade- Sexo sem amor é vontade- Amor é um - Sexo é dois- Sexo antes - Amor depois”.
Enfim, sexo sem amor é vontade, amor sem sexo é AMIZADE. O que percebo nestes quase seis meses como cortesã é como os homens conseguem fragmentar seus sentimentos e sensações em prol de manter uma relação socialmente "linda" e de, obviamente, não gerarem dilemas em seus, tão “equilibrados”, egos. Em prol de serem os “heróis” de seus filhos, os grandiosos mártires dos sogros, os bons “homens de família”, os "super-maridos-salvação-das-esposas".
Outro dia fiquei boquiaberta ao ser contatada por um noivo que estava há um ano sem sexo oral, porém prestes a casar-se com a noiva que não curte chupá-lo. Gente, neste caso, por que casar? Por que admira? Por que ela cozinha bem? Por que é inteligente e de família rica? Por que é milionária? Então, se trata de estar se vendendo e não amando! Ora, como casar-se com quem não lhe satisfaz sexualmente? Como? O sexo faz parte do casamento, do contrário basta comprar um cão labrador, um gato persa, enfim!
Sexo não é pecado, sexo é vida! Não há como ser feliz num relacionamento sem ter sexo bom, gostoso e despudorado. Então, para algumas pessoas é mais digno casar-se com a mulher fria do que dizer-lhe que ela não lhe satisfaz e que deve encontrar algum homem do “estilo” dela? Gente, que “nóia” é esta de “ter que casar”?
Que asneira é essa que resume a vida em estudar, trabalhar, casar e reproduzir a espécie? Deixar a vida sexual e o prazer de lado para limpar fraldas, além de esquecer-se do bom e velho sexo oral, porque a moça é de “família” (riquinha, via de regra)? 
Afinal, quem é a indecente e “putana” da história? Eu que lhes escrevo ou vocês que se corrompem por uma "legislação" tácita de uma sociedade hipócrita que desde sempre se vale da infidelidade para poder ter prazer sexual?
Sexo faz parte do amor sim! Sexo é limpo, ou melhor, é a sujeira que limpa a alma, a ansiedade humana, os nossos pesares! É a delicia impudica que faz o nosso humor ir ao êxtase, nossa pele melhorar, nossa ansiedade esfomeada ir embora, nossas dores amenizarem, nossos músculos relaxarem e firmarem-se ao mesmo tempo!
Sexo, ao contrario do que diz o padre (quiçá pedófilo e punheteiro) e o pastor (que mora em mansão, enquanto você mora num apartamento de 60 m²) é do bem e só faz bem! O que é contra a ética da reciprocidade é fazer ao outro o que dele não se deseja, ao invés de ser sincero e encarar a solidão em detrimento de um casamento que nasceu para dar errado só pra satisfazer estranhos que não irão gozar e nem chorar por você!
As mulheres também traem, só os machos egocêntricos fazem questão de desconhecer tal realidade. Segundo pesquisas, os percentuais dos infiéis entre os gêneros estão cada vez mais semelhantes. O que sempre me intrigou, aqui, nesta minha mente sexualmente devassa, mas moralmente regrada (não curto fazer ao outro o que dele não espero), é por que afinal as pessoas traem hoje em dia, quando somos livres, quando nós, mulheres, graças ao feminismo, podemos nos libertar do macho com quem nos casamos, quando eles, por sua vez, podem viver livres para, sem peso na consciência, poderem ter suas aventuras sexuais insanas, por que manter-se numa relação morna ou, mudando o “n” pelo “t”, morta?
Por comodismo? Pelos filhos? Pelos bens materiais? Pelos amigos em comum? Pelos parentes? Um divórcio é complicado, mas onde está a decência das pessoas que acham mais fácil passar o dia flertando e transando com a “amiguinha” e dormir de conchinha à noite com a esposa? Chegar em casa, olhar em seus olhos e fingir que nada aconteceu?
O que há de errado com o ser humano? Ou melhor, o que há de errado comigo? Eu sei muito bem que é fácil dividir o sexo do amor. Tanto que transo com cada cliente como se fosse minha ultima transa e estou aqui, de bem com a vida e comigo mesma, me amando, me adorando. Mas, ora, ora, eu não durmo com ninguém, não digo “eu amo você” e nem dou presente de dia dos namorados ou aniversário de casamento para pessoa alguma! Eu não preciso olhar nos olhos de uma pessoa para dar boa noite, não preciso chamar de “querido”, de “meu bem”, de “meu amor”.
Eu não tenho “amor” algum, se tivesse eu não estaria transando loucamente para manter minha tranquila vida emocional e, claro, financeira. E você lord, “senhor de respeito”, sabe me responder por que esta casado? Por que a herança do sogro será legal? Por que a esposa é abonada? Por que o status da família do cônjuge lhe eleva profissional e pessoalmente? Por que você adora o risoto que sua mulher faz? Por que trair alguém é mais emocionante e lhe dá tesão?
Bem, seja pelo que for, só tenho para lhe dizer que a “puta” ou o “puto” aqui não sou eu. Eu transo porque gosto de pênis. Gosto de homem, para ser mais educada. Gosto de sexo. Recebo meus “honorários” e volto à paz da minha solidão. A minha vida, meu bem, não é um teatro, nem uma foto dentre amigos, nem um post no Instagram. Eu não interpreto nada, nem para os meus filhos (que, benzadeus, não existem!), nem para o meu marido, nem para familiares, nem para amigos, nem para vizinhos, nem para ninguém.
O que realmente nos distingue é que eu sou livre e você não, embora ache que é! (Tem que achar, se não seu ego quebra-se em mil pedaços!). Eu tenho coragem para enfrentar a vida sem um escoro dormindo ao meu lado, sem filhos para chamar de “meus”, sem fazer parte de um “modelo da tradicional família brasileira” (que na verdade deveria ser indígena e viver nua), eu tenho coragem para quebrar tabus e, ainda assim, ser feliz. E você, teria a minha coragem e decência?
Cláudia de Marchi

Brasília/DF, 22 de setembro de 2016.

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