Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

“É comercial ou residencial?”



“É comercial ou residencial?”

Quem conhece Brasília entenderá, quem não conhece e tem um QI razoável, ao ler este texto, também compreenderá. Vamos lá! Aqui na bela cidade que amo nas quadras comerciais, denominadas CLN (comércio local norte) o único tipo de residência que existe são apartamentos/quitinetes pequenas que ficam em cima dos prédios comerciais, (boa parte antigos). A maioria são muquifos (pelo que já ouvi falar), nunca fui a nenhum.
Já, nas SQN, (super quadra norte) existem prédios residenciais, alguns mais chiques, outros nem tanto, alguns mais novos, outros mais antigos, mas todos condomínios residenciais, enfim, todos locais respeitados de "ambiente familiar" como diria o "homem-cisgênero-branco-classe media-defensor-da-tradicional-família-brasileira".
Ah, mas os cidadãos (no plural, porque muitos ligam e fazem essa pergunta ao telefone, mesmo após ouvir SQN como se tivessem problema de audição ou algo assemelhado), através do questionamento que posso chamar certamente de ato falho (vide Freud) acham que "acompanhante de luxo" é coisa de programa de televisão, de seriado americano, de novela!
"Tudo puta, onde já se viu ser fina, letrada, culta e, ainda assim, f**** bem!? Aposto que mente, faz propaganda enganosa! Deve ser ralé! Dividir apartamento com mais 3, ouvir funk e tomar porre toda semana! Puta é puta, tudo sem fineza, tudo igual!", devem pensar os "gênios" que creem existir apenas "garotas" por aqui. Como "pensamento" entenda-se a opinião inconsciente dos ditos cujos, inclusive. Aquela que se nega, mas está lá na cabeça da criatura. 
Um aviso: existe acompanhante de luxo em Brasília e, certamente, eu não sou a única (assim espero)! Portanto, cuidado antes de, num ato falho, estigmatizar todas aquelas criaturas que você encontra nos sites em que entra voluntariamente, como "mulheres de parco gosto para local de residência" (dizendo pouco, pois eu poderia usar termos piores me referindo ao seu pensamento preconceituoso!).
Eu, Cláudia de Marchi, faço "putaria” e tenho “atos de puta” com um homem entre quatro paredes (nunca fiz com dois, mas nunca me convide para ménage com outra mulher, gosto de pênis! Just it!), a exceção disso sou uma lady de gostos primorosos. E caros, feliz ou infelizmente.
Ah, mas a sua pergunta foi "inocente"? Então você não morou nem 5 dias em Brasília ou tem sérios problemas de cognição! Você sabe que acompanhante de luxo é mais do que um corpinho bonito, vestido colado e “topo tudo por dinheiro”, certo!? 
Sabe que acompanhante de luxo não é “menina” ou “garota de programa”? Que acompanhante, a verdadeira cortesã de luxo tem mais seletividade, discrição, elegância e classe? Sabe disso? Acompanhante de luxo é fina, letrada, culta, educada, chique e, sobretudo, dotada de gostos primorosos, inclusive para local de residência. Se não sabe, convém ficar sabendo.
PS.: são de DDD daqui do DF os senhores que fazem tais perguntas, se não fossem esta crônica (que está há dias no meu Instagram e Facebook) não existiria.
PS.1: quem não é daqui 99,99 % das vezes me recebe em hotel.
PS.2: o bairro onde a maioria das autointituladas acompanhantes de luxo reside aqui na capital federal é o Sudoeste. Minha mãe gostou, eu não. Como não encontrei nada lá para alugar e eu não queria morar num lugar "manjado", cá ficamos! Ademais, até as moças que lá residem costumam morar na parte "econômica" e barata do local, pelo menos eu tive um cliente que vivia dizendo para eu procurar um apartamento lá, na “parte econômica”. (Sabem esses que querem se achar “tutores” da mulher? Este era um, vivia dando opinião não pedida. Detesto!).
PS.3: a intenção NÃO é "tirar sarro" dos cidadãos dos prints em questão. Educadíssimos, por sinal, a intenção é esclarecer como, em pequenos atos e palavras, inclusive dos que se dispõe a procurar garotas de programa e acompanhantes de luxo, se pode verificar o preconceito aferível num tal de menosprezo e estigmatização.
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 06 de outubro de 2016.


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