Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

sábado, 15 de outubro de 2016

Precisamos falar de desespero.

Boa noite sabadão!
Desde quinta sem lhes dar notícias, né?! É que ontem o dia foi corrido, em que pese nem tenha atendido: fiquei naqueles dias (pouco, muito pouco, mas fiquei!) e, ainda, com dor de barriga. Terminei tendo apenas um encontro amigável com meu cliente cativo numa cafeteria, duas boas horas de bom papo. A noite segui entre filmes e séries.
Bem, hoje continuei "quase" na mesma: sem cólicas intestinais, logo, pude ir fazer as unhas e, amanha, pretendo tomar sol pela manha. 
Quero, neste dia dos professores, falar-lhes de mim. 
Já escrevi uma crônica dizendo que sou uma profissional bem resolvida e não agenciadora. Pelas mensagens que sigo recebendo de mulheres que se dizem minhas fãs e seguidoras, parece que não leram ou, se leram, são analfabetas funcionais. Enfim, eu não estou aqui para ajudar mulheres financeiramente (e emocionalmente) desesperadas à virarem acompanhantes. 
Estou aqui para ajudar no empoderamento feminino da classe, em que pese, vejo que muitas insistem em baixarem suas cabeças para o preconceito e, não raras vezes, darem vazão à ele na medida em que pouco se valorizam e muito vulgar e "baixamente" agem.
A Cláudia de Marchi, terna apaixonada pelo magistério e que foi demitida em fevereiro deste ano entrou na profissão por apreço ao sexo, ausência de romantismo, praticidade e revolta com o sistema. A Cláudia saiu do interior do MT após sacar o FGTS e ciente que receberia, por 5 meses o teto máximo (mísero, porém máximo) do seguro-desemprego. A Cláudia sempre teve contas para pagar, pois apesar de não querer filhos, sempre desejou ser o arrimo dos pais e, agora, da irmã que ontem completou 4 anos. Mas, justamente por isso, nunca entrou em desespero financeiro, apenas e tão somente em revolta com o machismo, protecionismo masculino e com o Direito.
Eu estava revoltada, jamais desesperada. Tomei uma decisão que foi repensada dia a dia por 2 meses de forma consciente. E eu mesma agi e me ajudei. 
Pessoas afetivamente desesperadas vêem amor onde não existe, casam com homens machistas e abusivos, acatam desrespeito. Pessoas emocionalmente desesperadas agem por impulso e de forma irracional, pessoas financeiramente desesperadas chegam às raias da loucura e podem fazer tudo por dinheiro. A ponto, inclusive, de perderem o autorrespeito e o apreço por si mesmas.
Não ajudo ninguém, desesperada ou não.
Eu vim pra Brasília disposta a fazer sexo por dinheiro para me divertir e gozar, não para atender qualquer um que me aparecesse com R$ 500,00. O dinheiro interessava, a diversão interessa mais. E é por isso que meus clientes me respeitam, praticamente mais do que muitos maridos às suas belas, recatadas, do lar, ou não, esposas. Porque me imponho, não finjo orgasmo, não finjo apreço, não finjo nada. 
A Cláudia de Marchi não faz o que faz por preguiça, por ganância, por desespero, faz o que gosta, porque achou a carreira uma boa opção. Porque ganhou visibilidade para dizer à todas as mulheres que elas carecem se empoderar, se amar e se desapegar de amarras sociais e machistas. Da necessidade de ter um parceiro e de vender-se ao casamento ou união estável com um sujeito bem sucedido para ser bem julgada pela sociedade. (Ah, a sociedade, um imenso mar de lamas de pessoas incultas fingindo que gostam da vida que levam!). As que se vendem ao casamento não distam das prostitutas, até são piores, fingem amor para terem conforto e, seguidamente, são infelizes e, ainda, traídas.
Enfim, recebo DIARIAMENTE e-mails e mensagens de mulheres querendo instrução para virar acompanhantes Todas, absolutamente todas desesperadas, todas que irão engrossar o lado negro da mediocridade profissional fazendo tudo por dinheiro e legando-se a segundo plano, dando vazão para macho falocentrico e desrespeitoso que acha que pode tudo, porque paga ou é abonado. Não esperem meu apoio, vocês não terão.
Eu estou aqui, porque dos homens com quem transei, nenhum valeu o tempo que, gratuitamente, lhes dei. Eu estou aqui, porque acho que homem algum merece me-ter (o trocadilho é gratuito...) de graça. Estou aqui de forma racional e bem resolvida, sobretudo, porque muito pensei e desejei. 
Xô mulherada desesperada, o Governo dá atendimento psiquiátrico e psicológico pelo SUS, procurem! Eu mesma procurei quando, enquanto professora, tive uma crise de ansiedade no ano passado, não é vergonhoso. Vergonhoso é fingir que goza pra amealhar o vil metal! Vergonhoso é nem ser tarada e querer virar acompanhante por desespero e, mais ainda, pedir ajuda. 
Me poupem, se poupem e nos poupem!
Beijos de luz!

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