Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

domingo, 6 de novembro de 2016

Primeiro depoimento da minha mãe, Joceli Aparecida Marcondes, publicado ontem em sua página no Facebook.

Após o alvoroço agradabilíssimo gerado pela bela matéria sobre mim na Zero Hora deste final de semana, intitulada "A cortesã de Brasília", deixei meu notebook para minha mãe usar e fui até a farmácia que tem aqui perto no meio da tarde, ao regressar,  leio um belíssimo texto em que ela me marcou (as "aulas" de Facebook que venho lhe dando estão sendo muito úteis!):




Antes de colar a homenagem para vocês lerem melhor, colo uma pequena parte da matéria elaborada pelo jornalista da RBS Brasília, Guilherme Mazui, que retratou com perfeição nosso encontro:

A matéria estará disponível virtualmente amanha no caderno Donna da ZH! Acessem! 

Eis, as palavras da minha mamãe e melhor amiga:

"Mundo, por favor se aprimore! Todas as vezes em que sou questionada sobre as escolhas da minha amada, responsável e arrimo de família filha, fico estarrecida! Minha filha e eu sempre fomos unidas: acompanhei cada decepção com homens estúpidos, egoístas, grosseiros e que não valorizavam o esmero, companheirismo e afeto dela. Testemunhei gritos, abuso, humilhações e ofensas por parte de um "santo homem" com quem ela se iludiu por anos na esperança do pária vir a mudar como tanto lhe prometia e jurava amor. Casou-se e, dele, até eu fui vítima de violência verbal. Ela estava 10 kg mais magra à época, em 2010. Testemunhei desistência de sociedade advocatícia com um belo futuro por "amor", quando era nova e tola, testemunhei olho roxo, alma em frangalhos, autoestima destruída, desejos suicidas, e uma mulher de 1,69 m pesando 48 Kg. Testemunhei atos de defesa e ódio, até que, sem pensar, ela entregou um cometedor de atos ilícitos à PF, por exemplo. Mas, depois, também testemunhei culpa, arrependimento, overdose de remédios e internação médica, pois, graças a culpa, ela representava um perigo a si mesma. Após, deu a volta por cima, reabriu seu escritório e conheceu alguém de POA, aparentemente perfeito, que vivia falando em empatia, se apaixonou por ela, quis noivar, mas não entendia o básico do amor e da complacência. Após, testemunhei a tentativa de revolucionar a vida e ir parar no MT para dedicar-se à carreira. Lá, entre a obsessão ao trabalho e rotina pacata teve relacionamentos com estelionatários afetivos, mas descobriu sua VERDADEIRA paixão no magistério. Ela era o arrimo da casa e o magistério o arrimo da sua alma! Ela sofreu com mulher de sócio com ciúme quando, se dedicava inteiramente e apaixonadamente ao escritório, júris e defesas criminais. Sofreu uma lamentável injustiça, novamente. Ficou, só com sua maior paixão, o magistério e, começou a sentir pequenas implicâncias da chefia ao término de 2015, suportou, mas no início de um NOVO semestre, em 02/02/16 a demitiram sem nada para explicar-lhe. Nunca a vi tão desolada. Dias após muitas lágrimas e noites em claro, chegou à mim com uma decisão: "Não quero homens. Não quero parir. Não suporto o narcisismo, egoísmo e falocentrismo masculino. Mas, amo sexo. Quero um trabalho em que eu ganhe $ e não precise conviver numa eterna e medíocre briga de egos com colegas problemáticos que impiedosamente, tiram de mim o valor que sustento esta casa sem razão alguma, logo quero virar acompanhante de luxo, mas de luxo mesmo e bem longe desta cidade medíocre!". Apoiei tal decisão na hora, sabem por que? Primeiro, porque ela nunca gostou de carreiras públicas, segundo porque eu assisto televisão, ouço a juventude e vejo que muitas cada dia "ficam" com um, facilitando a vida de homens que sequer sabem ser cavalheiros! Apoiei minha filha desde o princípio, vez que vi seu esmero e má sorte com seus sonhos, e hoje a apoio na sua seletividade incrível, em que pese eu saiba que se ela fosse mais flexível estaria ganhando mais de 30 mil mensais (...Ah, estamos procurando um bom contador!), mas a Claudinha só faz o que deseja e com quem deseja! Sempre foi assim e é isso que EU E O PAI DELA amamos na nossa LINDA, QUERIDA, AMOROSA, ALEGRE, HUMORADA E FELIZ FILHINHA! Ela que, pela primeira vez na vida, me faz acordar cantarolando, trabalhar em minhas pinturas cantarolando e sem me preocupar com contas ou com ego de chefe ou de colega ferido, porque ela tem "poder de liderança" frente a alunos sem ser grossa como uma égua... E, sobretudo, me dá um orgulho imenso, porque tem a DIGNIDADE que muita mulher metida a "alto nível" NÃO TEM! E fico por aqui. Cláudia de Marchi, te amo, te admiro e se tivesse tua idade, corpo e beleza faria o MESMO! (Minha resposta a reportagem que saiu hoje na Zero Hora, a qual agradeço profundamente a veracidade e elegância com que foi elaborada!)."

Joceli Aparecida Marcondes
Brasília/DF, 06 de novembro de 2016.

6 comentários:

  1. Parabéns pra sua Mãe, por te apoiar sempre e parabéns pra vc pela mulher de fibra que és!!

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    1. Obrigada queridas, devo quem sou a ela! Um espírito de luz! Beijos!

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  2. Mulher de garra, corajosa..seja feliz com suas escolha.

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