Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

sexta-feira, 10 de março de 2017

Esquecer-se do que não merece ser lembrado é o melhor remédio!

Esquecer-se do que não merece ser lembrado é o melhor remédio (para todos os males)!


Vai existir um dia que você vai se enganar. Em que sensações, atos, palavras e pressentimentos irão lhe enganar. Alguém irá lhe enganar. 
Mostrar mais do que de fato sente, ser mais afetuoso do que, de fato, nutre afeto por você. Vai haver um dia em que você vai crer-se estimado, respeitado, adorado e até amado, mas não vai ser. 
O motivo do engano, da ilusão, do engodo? Não importa! Pode ser que você estivesse carente, pode ser que você tenha se envolvido num jogo de sedução e de um falso bem querer, pode ser que você tenha caído em palavras docemente astuciosas de quem gosta de brincar com os outros, pode ser que um sociopata lhe usou como laboratório para enaltecer sua mente doentia, pode ser que uma pessoa problemática, perdida e sem coragem lhe disse inúteis "mentiras sinceras",  porque mal conhece a si mesmo. 
Tenha, pois, piedade! A única coisa verdadeira que existirá nisso tudo é a necessidade de esquecer. De deletar. De resignar-se ao engano e assumir para si o dever de não ser mais iludido, de não confiar em demasia, enquanto, um dia por vez, você desapega da ilusão de outrora. 
Sem muito questionar, porque não vale a pena perder sono, tempo, lágrimas ou suor por algo que, na página da sua vida, será sempre designado como "um grande engano".
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 07 de março de 2017.

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