Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O mundo precisa de atitudes, não de orações!

Eu mudei de manicure recentemente. Desde a primeira vez que eu fui no local atual, aqui na Asa Norte, num dia de julho em que eu estava machucada e chateada, fui muito bem atendida e recebida pela minha manicure (uma das moças que trabalham no lugar e lá estava desde as 8h!). Ontem eu fui fazer a manutenção do alongamento de fibra e tive o prazer de poder conhecer um pouco mais a jovem e bela moça que vinha, há dias, cuidando das minhas mãos. 
Fiquei duas horas no local e conversamos sobre tudo, sendo eu a curiosa, obviamente. Fiquei sabendo que ela ganha 30% sobre o trabalho que faz com muito esmero. Da mesma forma, apenas ontem tivemos tempo de conversar a ponto de ela saber que estou, há pouco mais de um ano, trabalhando como acompanhante de luxo. 
Ela contou-me os seus planos de trabalhar fazendo unhas nas residências das clientes, incluindo o alongamento de fibra (que eu super recomendo, pois uso há mais de um ano e minhas unhas estão ótimas!), mas me disse que está juntando dinheiro para comprar os materiais que ela havia visto na internet. Ela e o marido estão passando maus bocados atualmente (como inúmeros residentes do DF que conheço). Por curiosidade, perguntei-lhe o valor do referido material e ela me disse. 
Enquanto ela seguia o seu trabalho, coloquei-me a pensar: este foi o melhor mês de 2017 para mim, em todos os sentidos. O mês em que estou terminando um pouco menos desgraçada da cabeça por problemas atinentes à advocacia e "assuntos correlatos" a ela. Eu estava pensando em comprar mais um perfume francês para me auto-presentear, mas, por que não ajudar uma pessoa trabalhadora, esforçada e competente que sempre mostrou-se alegre apesar dos revezes da vida? Sim, todos os tem, mas alguns indivíduos fazem questão de deixarem-se amargar por eles e de passar o amargor "para frente", o que não é o caso desta moça. (E nem o meu, daí a minha afinidade com a sua energia!) 
Se é por não poder comprar o material que ela está ganhando pouco e colaborando para a boa "conceituação" de um salão especializado em unhas no qual os donos nem aparecem (nunca os vi!), apenas a gerente, então eu irei compra-lo (o material)! Claro, iremos abater em manutenções e unhas, mas eu não poderia deixar de ajudá-la antes de outubro chegar. Perfume pra que, se já tenho vários? Se custam o que essa moça não ganha numa semana? Pagar mais caro num salão de pessoas economicamente privilegiadas pra que se posso incentivar uma profissional a crescer e a ganhar mais, cobrando menos? (Um valor mais justo, enfim.) 
Sou contida, tenho contas altas para pagar e não me permito luxos cotidianamente, o perfume seria um, vez que sou viciada em fragrâncias (livros, para mim, são investimentos). Estou escrevendo para dizer-lhes que o mundo pode ser um lugar muito mais bonito e cheio de esperança se ajudarmos quem merece sempre que pudermos. Se valorizarmos e demonstrarmos que valorizamos quem se mostra diferenciado e "acima" da média que, infelizmente, está cada vez mais decadente. É muita preguiça, má-vontade, desânimo e gente sem graça levando a vida sem leveza! Custa o que, para você, ajudar alguém quando precisa? Ah, mas "nunca" ninguém lhe auxiliou assim? Lamento. A mim também não, a exceção de pessoas com as quais tenho vínculo de parentesco e afetivo. 
Este círculo do egoísmo deve ser rompido: eu sei o quão melhor e mais fácil a minha vida poderia ter sido se alguém colocasse fé na minha competência sem me lograr ou querer abusar-se posteriormente. Amanhã estarei efetivando as compras para ela e, em breve, divulgarei o seu trabalho e telefone, pois esta moça é merecedora! Já pensou se ao invés de rezar, pagar dízimo e, ser hipócrita apregoando moralismo e religiosidade, as pessoas usassem sua energia e dinheiro para ajudarem alguém que precisa? Quiçá construiríamos uma sociedade menos desigual, injusta e triste. 
Pense nisso!
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 21 de setembro de 2017.

9 comentários:

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  3. Parabéns por essa atitude Cláudia! Eu particularmente sou Agnóstico,e creio que hoje a religião trabalha mediante o medo e a fragilidade das pessoas. O mundo precisa de mais AÇÕES e menos orações .

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    1. Doug, concordo plenamente contigo!
      As pessoas esperam anjos com asas, quando, se observarem bem verão que quem pode ser um anjo ou um demônio em suas vidas é quem as cerca, são as pessoas.
      Abraço!

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  5. O que o país precisa é de ações como esta. Infelizmente vivemos no país em que a maioria visam apenas benefícios próprios, olham apenas para o próprio umbigo. Recentemente vivi uma situação semelhante. Quando existe alguém que faz por merecer, porque não estender a mão para colaborar?
    Parabenizo-a pela atitude generosa....

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