Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

terça-feira, 13 de março de 2018

Precisamos falar da Jojo Todynho.



Precisamos falar desta mulher. Precisamos falar da Jojo Todynho.
Eu não vou falar das músicas, porque eu posso gostar da obra sem gastar do autor, assim como posso gostar do autor sem gostar da sua obra. E este é o caso aqui. 
Está mulher é admirável!
Toda vez que sou elogiada no Instagram, que mulheres dizem que “gostariam” de ter a minha autoestima ou coisas afins eu fico um tanto estarrecida! Porque sim, eu posso ter quebrado padrões deixando o Direito e a Academia em segundo plano para me tornar acompanhante de luxo, mas isso só significa “quebra de tabu”, porque a sociedade é preconceituosa, afinal, se eu tivesse me casado com um cara rico e aceitado ser sustentada eu teria menos arbítrio e estaria me vendendo da pior forma: sujeitando-me a escravidão afetiva e financeira. Prostituição doméstica é o nome disso, como bem explicita a grande Regina Navarro Lins.
Ou seja: eu sou branca, loira (falsa, mas loira), estudei em bons colégios, meu pai pagou academia de ginástica, excelentes escolas, cursos de idiomas, Faculdade, boas roupas, conforto, enfim, fui educada como uma “classe média” qualquer. Fiz uma Especialização, não conclui o TCC de outra. Sou apaixonada por leitura e escrita, tenho praticamente 1,70m, meu peso varia de 56 a 58 kg desde 2016, quando parei de tomar anticoncepcional (eu tomava desde os meus 22 anos para regular meu ciclo “problemático”). 
Meu nariz é pequeno, dentes brancos, sorriso largo, lábios carnudos. Segundo um cliente da área de Exatas o fato da maioria das pessoas me achar atraente tem a ver com “uma” tal de “proporção áurea”, coisa que não sei o que é direito.
Sei que não tenho quadris demasiado largos em comparação com a cintura, mas ela também é fina (afinou mais pós-2016/interrupção do uso de contraceptivo oral), não tenho seios pequenos e em desproporção com a derrière, sou durinha, sem ser grande ou artificial, enfim, meu corpo está dentro dos padrões e só não fica mais sarado, porque eu acho este “modelo” de shape feio (para mim).
Contento-me em ser magra, durinha e não ter estrias ou celulites (obrigada pai, obrigada mãe!). 
Logo, a minha autoestima não deveria “chocar” ninguém. Não num universo onde as pessoas fossem sensatas e não fúteis, não num universo em que as pessoas lessem mais Filosofia do que revistas com corpos “trabalhados” no Photoshop. 
Mas, não, tem quem fique “espantado” e “inveje” a minha simpatia e apreço para com a minha própria aparência!
Eu posso ser relativamente boa em escrever, ser ótima em outras coisas, ser perfeccionista e etc., mas não é pelo fato de eu amar o meu corpo “padrão” que eu devo ser elogiada, ao contrário da Jojo.
Eu sou uma mulher que não consegue se soltar na cama se não está com a depilação 100%! Que vai ao shopping domingo à tarde para se depilar. A minha autoconfiança estética é frágil: se eu ficasse flácida, se meus seios caíssem ou se eu engordasse eu faria dieta, o dobro de atividade física e até mesmo uma cirurgia plástica, porque “deusmelivre” ter seios flácidos, pneus ou linhas de expressão antes dos 60 anos! 
Tomo vitaminas para evitar o envelhecimento, invisto em cremes bons, protetor solar, enfim, cuido do meu rosto com primor! Bem, eu sou uma mulher que usa hidratante até nos cílios. Sim, nos cílios, porque acho de péssimo gosto a moda do “alongamento”!
Eu falo que devemos nos amar, mas eu também sou hipócrita, porque sei que falta muito para eu ser forte como essa mulher, para eu ser firme e ciente do meu poder independente da minha simetria. Ou seja, se você está descontente com seu corpo e precisa de um “up” para melhorar e tem grana sobrando para isso? Invista em si, invista em amar o que você vê no espelho. (Esta sou eu, sem máscaras lhe aconselhando).
Jojo Todynho é um exemplo de empoderamento e autoestima. 
Eu sou só uma mulher que uniu o agradável ao útil por algum tempo. Uma mulher que gosta de sexo e tem uma boa genética. Apenas e tão somente isso. E que fique consignado: eu posso ser hipócrita, assim como você.
Brasília/DF, março de 2018.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.