Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

terça-feira, 3 de julho de 2018

Sobre infidelidade, machismo e outras elucubrações.

Sobre infidelidade, machismo e outras elucubrações.


Eu sou a prova viva da desconstrução de conceitos. Minha mãe casou-se virgem e eu queria o mesmo até meus 19, quase 20 anos de idade, mudei de ideia e antes de me casar, em 2009, tive pouquíssimos parceiros. O mesmo após, até 2016, quando me tornei acompanhante de luxo. O que distingue as mulheres dos homens não são os hormônios, os órgãos ou o cérebro, mas a criação, a educação, aquilo que, há milênios, vêm incrustando em nossas mentes e que, portanto, nos escraviza: o machismo do patriarcado.
Nós temos desejos e nossos órgãos, nosso corpo e nossa libido não são conectados ao nosso coração: a gente pode sim fazer sexo por mera vontade de fazer sexo! A gente pode sim ter só vontade de ter uns orgasmos sem precisar de “eu te amo”, romance e relacionamento sério! A gente pode “usar” o corpo masculino para o nosso prazer, dizer “tchau”, tomar banho e dormir mais relaxada! Fazer sexo é um ato natural, querer transar, também é! Existe sexo com amor e existe sexo por prazer, mas não há necessidade alguma do romance para enfeitar o que costuma ser bom quando feito com desejo: o bom e velho sexo! Aceitem, melhorem, desconstruam seus conceitos e amadureçam.
Ademais, outra ideia a ser superada é a de que casamento é companheirismo. Não que não seja é, também, companheirismo, mas precisa de tesão e de paixão ou então haverá traição e, neste caso, ou o casal "abre” o relacionamento e cada um vai procurar prazer sexual onde quiser ou sim, haverá mentiras, omissão e infidelidade. Sim, infidelidade! A mãe dos "casamentos felizes" desde que o mundo é mundo: marido iludido, esposa iludida, jantar em família, foto no Instagram e “vida que segue” (calcada na hipocrisia).
Sabem por que eu me sustento como acompanhante de luxo? Graças à estes conceitos hipócritas de que casamento é amizade, parceria, cumplicidade e que sexo "não é tudo" numa relação. De fato, não é, mas "nada" é tudo num relacionamento.
Todavia olvidar de que sexo bom e quente é sumamente importante na sincronia de uma relação realmente feliz, transparente, equilibrada e saudável só serve para que se propague o machismo institucionalizado: os homens saciam-se "fora de casa" e as esposas seguem orgulhosas com suas famílias "perfeitas" e "parceiros" exemplares. "Ah, mas mulheres também traem". Sim, traem, mas quando isso ocorre e elas são descobertas "terminam" socialmente humilhadas ou assassinadas, pois, como eu disse o machismo é institucionalizado na sociedade patriarcal. E isso me anoja.
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 03 de julho de 2017.

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