Sobre o pálido ponto azul.

Sobre o pálido ponto azul.
"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, "superastros", "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus freqüentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos. (...)" Carl Sagan

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Sobre preconceito e o lançamento do meu segundo livro na Livraria Cultura do Casa Park em Brasília/DF.




Sobre o lançamento do meu segundo livro ocorrido ontem na Livraria Cultura do Casa Park, aqui em Brasília: primeiramente me “colocaram” dentre DVDs de filmes e música, não no local costumeiramente usado para lançamentos literários que fica no andar superior da loja. Os leitores que foram, inclusive tiveram dificuldades em me encontrar e sequer água lhes foi oferecido. Nesta quinta-feira, numa entrevista para a seção Universa do Uol (provavelmente publicarão na segunda-feira) me perguntaram se há previsão de cerimônia em São Paulo, mas infelizmente não há! 
Lembrei-me que eu havia dito aos editores que gostaria disso, pois o pessoal da Livraria Cultura daqui sempre me pareceu preconceituoso desde que contatei a gerente da loja do Casa Park para o evento do meu primeiro livro, motivo pelo qual realizei-o no Carpe Diem. Na hora de anunciar o evento no microfone da loja sequer foi dito o título completo do livro, apenas “de encontros sexuais a crônicas” ademais, na mesa escondida em que me colocaram, havia dois exemplares: nada exposto, nada que chamasse a atenção. 
Todo mundo que sofre preconceito sabe quando sofre e eu consigo notar isso numa conversa por WhatsApp ou e-mail, por exemplo! Ele é como uma névoa, algo que não se apalpa na maioria das vezes, mas se sente e incomoda. Incomoda muito. Várias seguidoras foram até mim com seus livros já adquiridos para eu autografar, mas se alguém quisesse furtar um dos dois livros que estavam sobre a ridícula mesa em que me colocaram não seria notado. 
Eles expuseram 2 e receberam mais de 150 exemplares para colocarem à venda, mas não prestaram-se a organiza-los em quantidade para serem vistos! Brasília é um antro de hipocrisia e eu só adoro aqui porque sou anti-idiotas, logo, como eles são a maioria no mundo, posso ser definida como antissocial, mas, realmente ir com febre ao lançamento do meu próprio livro e me sentir visivelmente vítima de preconceito foi péssimo. 
Absolutamente todas as pessoas que foram à loja reclamaram do local onde me colocaram. Para mim foi uma vergonha e, francamente, se depender de ânimo com a raça humana para eu melhorar da gripe “sulista” que me pegou, eu morro na semana que vem. Estou exausta e cansada de usar o meu bom humor para relevar situações assim e de ser indulgente com quem diz me amar e valorizar. Em 2018 eu não vou suportar preconceito seja ele silencioso ou gritante como o ocorrido na Livraria Cultura do Casa Park neste dia 04/07, dia do lançamento do meu segundo livro!
Cláudia de Marchi
Brasília/DF, 06 de julho de 2018.

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